Habilidades profissionais depois dos 40 podem estar em experiências que você já acumulou e nem percebe como competências. Organização, comunicação, liderança, atendimento, ensino, negociação e resolução de problemas são exemplos. Identificá-las ajuda a enxergar novas possibilidades de trabalho, renda extra, qualificação ou mudança profissional com mais clareza.
Introdução
Quando pensamos em habilidades profissionais depois dos 40, é comum imaginar cursos, diplomas ou conhecimentos técnicos adquiridos recentemente.
Mas existe outra parte importante dessa história.
Ao longo de vinte ou trinta anos de vida adulta, acumulamos experiências.
Aprendemos no trabalho.
Na administração da casa.
Na criação de projetos.
Na solução de problemas.
No contato com pessoas.
Em situações que deram certo e também naquelas que deram errado.
O problema é que muitas dessas capacidades se tornam tão naturais que deixamos de reconhecê-las como habilidades.
Uma mulher que organiza diariamente dezenas de tarefas pode dizer:
“Eu só sou organizada.”
Uma pessoa que passou anos atendendo clientes talvez pense:
“Eu apenas converso bem com as pessoas.”
Quem treinou colegas pode dizer:
“Eu só explicava como fazer.”
Mas organização, comunicação e capacidade de ensinar são competências que podem ter valor profissional.
Por isso, antes de decidir que precisa começar completamente do zero, vale fazer outra pergunta:
“O que eu já sei fazer que poderia ser aproveitado de uma maneira diferente?”
O que são habilidades profissionais depois dos 40?
São conhecimentos e competências adquiridos tanto por formação quanto pela experiência.
Algumas são técnicas.
Por exemplo:
usar determinado programa;
fazer planilhas;
operar equipamentos;
produzir relatórios;
dar aulas;
administrar redes sociais;
trabalhar com vendas.
Outras são competências transferíveis, que podem ser utilizadas em diferentes profissões:
comunicação;
organização;
liderança;
negociação;
planejamento;
criatividade;
resolução de problemas;
gestão de tempo.
É justamente essa segunda categoria que muitas pessoas subestimam.
1. Pare de pensar apenas no seu cargo
Imagine alguém que trabalhou durante quinze anos como recepcionista.
Se ela escrever apenas:
“Sei trabalhar como recepcionista”
parece possuir uma única competência.
Mas vamos observar melhor.
Provavelmente essa profissional desenvolveu experiência em:
atendimento ao público;
organização de agenda;
comunicação;
resolução de conflitos;
uso de sistemas;
controle de documentos;
priorização;
trabalho sob pressão.
Percebe a diferença?
O cargo é apenas o nome da função.
As habilidades são tudo aquilo que foi necessário aprender para desempenhá-la.
2. Faça uma linha do tempo profissional
Pegue uma folha.
Comece pelo primeiro trabalho.
Escreva:
Onde trabalhei?
O que fazia?
O que aprendi?
Quais problemas resolvia?
Quais responsabilidades possuía?
Faça isso com cada experiência.
Inclua trabalhos temporários, projetos e atividades autônomas relevantes.
Quando terminar, observe quais habilidades aparecem repetidamente.
Elas podem indicar seus principais pontos fortes.
3. Liste aquilo que as pessoas pedem para você fazer
Essa pergunta costuma revelar habilidades escondidas.
No trabalho, as pessoas procuram você para quê?
Organizar?
Explicar?
Resolver?
Revisar?
Conversar com clientes?
Criar apresentações?
Planejar eventos?
Ensinar ferramentas?
Quando outras pessoas procuram repetidamente nossa ajuda para determinada tarefa, existe uma boa possibilidade de termos desenvolvido competência naquela área.
4. Observe aquilo que parece fácil para você
Existe uma armadilha curiosa.
Quanto melhor fazemos alguma coisa, mais podemos acreditar que aquilo é fácil para todo mundo.
Nem sempre é.
Talvez você consiga organizar uma viagem inteira rapidamente.
Criar uma planilha.
Escrever textos.
Explicar assuntos difíceis.
Planejar festas.
Comparar preços.
Organizar documentos.
Resolver problemas com clientes.
Aquilo que parece simples para você pode exigir bastante esforço de outra pessoa.
Não descarte uma habilidade apenas porque ela se tornou natural.
5. Separe habilidades técnicas e transferíveis
Crie duas colunas.
Habilidades técnicas
São conhecimentos específicos.
Exemplos:
Excel;
edição de imagens;
costura;
contabilidade;
idiomas;
culinária;
fotografia;
programação;
técnicas de vendas.
Habilidades transferíveis
Funcionam em várias profissões.
Exemplos:
liderança;
comunicação;
organização;
negociação;
criatividade;
planejamento;
capacidade de ensinar;
resolução de problemas.
As duas categorias podem ajudar na construção de novos caminhos profissionais.
6. Pergunte a três pessoas
Escolha pessoas que conhecem seu trabalho.
Pergunte:
“Quais são as três coisas que você acha que eu faço especialmente bem?”
As respostas podem surpreender.
Talvez uma competência que você nunca valorizou apareça repetidamente.
Não significa que toda opinião esteja correta.
Use as respostas como pistas.
7. Procure evidências das suas habilidades
Dizer:
“Sou organizada”
é bastante genérico.
Procure uma situação concreta.
Por exemplo:
“Organizei os horários de uma equipe de dez pessoas durante dois anos.”
Agora existe evidência.
Faça isso com suas principais habilidades.
Comunicação: apresentei treinamentos.
Planejamento: organizei determinado projeto.
Vendas: mantive carteira de clientes.
Liderança: coordenei uma equipe.
Esses exemplos também podem ser úteis na atualização do currículo.
8. Identifique habilidades que você não quer mais utilizar
Nem tudo que fazemos bem precisa continuar fazendo parte da nossa carreira.
Talvez você seja excelente em uma atividade que já não gosta.
Isso é importante.
Pergunte:
“Sou boa nisso?”
Depois:
“Quero continuar fazendo isso?”
As respostas podem ser diferentes.
Uma mudança profissional não deveria considerar apenas competência.
Também precisa considerar interesse.
9. Escolha habilidades que gostaria de desenvolver
Depois de descobrir aquilo que já sabe fazer, identifique lacunas.
Imagine que você possui:
boa comunicação;
experiência em vendas;
organização.
Mas percebe que oportunidades interessantes exigem ferramentas digitais que ainda não domina.
Agora você possui uma direção de aprendizado.
Em vez de fazer cursos aleatórios, pode estudar aquilo que complementa competências que já possui.
10. Pesquise onde essas habilidades são utilizadas
Uma mesma competência pode aparecer em profissões diferentes.
Quem possui habilidade de ensinar pode trabalhar com:
educação;
treinamento corporativo;
produção de cursos;
mentoria em áreas nas quais possua experiência adequada.
Quem possui organização pode encontrar aplicações em:
administração;
gestão de projetos;
eventos;
assistência administrativa.
O objetivo não é escolher imediatamente uma nova profissão.
É ampliar possibilidades.
11. Transforme experiências em linguagem profissional
Muitas pessoas diminuem a própria experiência ao falar dela.
“Eu ajudava.”
“Eu mexia com isso.”
“Eu fazia umas coisas.”
Experimente ser específica.
Em vez de:
“Eu ajudava nas vendas.”
Use:
“Atendia clientes, apresentava produtos e acompanhava pedidos.”
Em vez de:
“Eu organizava as coisas.”
Use:
“Organizava agendas, documentos e prazos.”
Isso não significa exagerar.
Significa descrever corretamente o trabalho realizado.
12. Atualize seu currículo a partir das habilidades
Depois desse levantamento, reveja o currículo.
Ele apresenta apenas cargos e datas?
Ou mostra também o que você sabe fazer?
Para cada experiência relevante, acrescente algumas responsabilidades ou realizações objetivas.
Evite transformar o currículo em uma autobiografia.
Selecione aquilo que conversa com a oportunidade desejada.
Habilidades profissionais depois dos 40 podem abrir uma nova carreira?
Podem contribuir, mas a resposta depende da profissão pretendida.
Algumas áreas exigem formação específica, registro profissional ou certificações.
Outras valorizam bastante experiência e competências transferíveis.
Por isso, antes de investir em uma nova formação, pesquise os requisitos reais da área.
No artigo Preciso Fazer Outra Faculdade Para Mudar de Carreira Depois dos 40?, tratamos exatamente dessa decisão.
Talvez você precise de uma graduação.
Mas talvez precise apenas de uma capacitação mais específica.
Suas habilidades também podem gerar renda extra
Nem toda competência precisa resultar imediatamente em mudança de emprego.
Algumas podem ser testadas em projetos menores.
Uma pessoa que sabe:
fotografar;
organizar;
ensinar;
escrever;
cozinhar;
produzir artesanato;
editar vídeos;
prestar determinado serviço;
pode avaliar se existe demanda por aquela habilidade.
No artigo Como Criar uma Fonte de Renda Extra Depois dos 40 Sem Largar o Emprego, mostramos como começar de maneira gradual, sem depender de promessas de ganhos fáceis.
Experiência não significa que você não precise aprender
Valorizar experiência não significa acreditar que já sabemos tudo.
Mercados mudam.
Tecnologias mudam.
Ferramentas mudam.
Algumas habilidades precisam ser atualizadas.
O interessante é combinar:
experiência acumulada + aprendizado novo.
Essa combinação pode ser bastante útil depois dos 40.
Faça seu inventário de habilidades
Complete:
Três coisas que faço bem:
Três coisas que as pessoas costumam pedir minha ajuda para fazer:
Três habilidades adquiridas no trabalho:
Duas habilidades que quero aprender:
Uma habilidade que poderia testar profissionalmente:
Agora você possui um pequeno mapa.
Não precisa tomar nenhuma decisão hoje.
O objetivo é enxergar aquilo que talvez estivesse invisível.
E se eu achar que não tenho nenhuma habilidade especial?
Comece pelas tarefas concretas.
Você já:
trabalhou em equipe?
atendeu pessoas?
organizou alguma coisa?
aprendeu sistemas?
cumpriu prazos?
resolveu problemas?
ensinou alguém?
administrou recursos?
escreveu documentos?
planejou atividades?
Provavelmente existe alguma competência por trás dessas experiências.
Às vezes o problema não é ausência de habilidades.
É dificuldade para nomeá-las.
Não transforme experiência em obrigação de permanecer onde está
Existe outro pensamento comum:
“Já investi muitos anos nesta profissão. Agora preciso continuar.”
Os anos vividos não desaparecem quando mudamos de direção.
Parte das habilidades pode acompanhar você.
Foi justamente essa ideia que trabalhamos em Como Mudar de Carreira Sem Pedir Demissão: testar possibilidades antes de tomar decisões profissionais maiores pode tornar o processo mais planejado.
Perguntas frequentes sobre habilidades profissionais depois dos 40
Quais são as principais habilidades profissionais depois dos 40?
Não existe uma lista específica para a idade. Comunicação, organização, liderança, planejamento, competências digitais e conhecimentos técnicos podem ser relevantes dependendo da profissão e da oportunidade.
Como descobrir minhas habilidades profissionais depois dos 40?
Revise experiências anteriores, liste tarefas realizadas, identifique problemas que costuma resolver e peça a pessoas que conhecem seu trabalho que apontem competências que percebem em você.
Experiência profissional ainda conta depois dos 40?
Sim, embora o peso da experiência varie conforme profissão, empresa e oportunidade. O importante é conseguir demonstrar quais conhecimentos e competências foram desenvolvidos.
Preciso aprender tecnologia para continuar competitiva?
Depende da área, mas competências digitais são importantes em muitas atividades profissionais. O ideal é identificar quais ferramentas são realmente utilizadas na área em que você deseja atuar.
Posso usar uma habilidade para criar renda extra?
Dependendo da habilidade, da demanda e das regras aplicáveis à atividade, sim. Antes de investir dinheiro, é prudente pesquisar mercado, custos e requisitos.
Conclusão
Reconhecer suas habilidades profissionais depois dos 40 pode mudar a maneira como você enxerga a própria trajetória.
Você não possui apenas uma sequência de empregos.
Possui experiências.
Problemas que resolveu.
Pessoas com quem aprendeu a lidar.
Responsabilidades que assumiu.
Conhecimentos que adquiriu.
Talvez algumas dessas competências precisem ser atualizadas.
Outras talvez não façam mais parte do futuro que você deseja.
Mas antes de pensar que precisa começar do zero, faça seu inventário.
Olhe para trás não apenas para lembrar onde trabalhou, mas para descobrir o que todos esses anos ensinaram você a fazer.
Talvez o próximo caminho profissional não comece com uma habilidade completamente nova.
Talvez comece quando você finalmente reconhece o valor de algumas que já possui.

Elieusa Regina Feliciano é professora há mais de 20 anos e criadora do Coisas da Vida, um espaço dedicado a levar informação confiável e acessível às mulheres que desejam compreender melhor as mudanças após os 40 anos, especialmente no climatério e na menopausa.
