Você entra em um cômodo e esquece o que foi buscar.
Abre o celular para fazer alguma coisa e, segundos depois, não lembra mais o que pretendia fazer.
Lê a mesma frase várias vezes porque percebe que não absorveu praticamente nada.
Tenta lembrar o nome de alguém conhecido e a palavra simplesmente não aparece.
Para muitas mulheres depois dos 40, situações como essas despertam uma preocupação imediata:
“Será que minha memória está piorando?”
Nem sempre.
Em alguns momentos, o problema pode estar menos relacionado à capacidade de armazenar informações e mais à enorme quantidade de coisas que o cérebro está tentando administrar ao mesmo tempo.
Trabalho, casa, responsabilidades familiares, preocupações financeiras, mudanças hormonais, noites mal dormidas e uma agenda que parece nunca terminar podem manter o organismo em constante estado de alerta.
Quando essa situação deixa de ser passageira e se prolonga, podemos estar diante do estresse crônico.
E ele pode afetar a maneira como prestamos atenção, aprendemos e recuperamos informações.
O Que É Estresse?
O estresse não é necessariamente um inimigo.
Ele faz parte de um sistema natural de adaptação.
Imagine que você esteja atravessando uma rua e perceba um veículo aproximando-se rapidamente.
Em poucos segundos, o organismo precisa reagir.
A frequência cardíaca pode aumentar, a atenção se concentra no perigo e diferentes hormônios e substâncias são liberados para preparar o corpo para responder à situação.
Essa reação pode ser extremamente útil.
O problema é que o organismo não responde apenas a perigos físicos.
Prazos.
Contas.
Discussões.
Preocupações.
Excesso de trabalho.
Problemas familiares.
Falta de descanso.
Tudo isso também pode ativar respostas relacionadas ao estresse.
Quando o episódio termina e conseguimos nos recuperar, o organismo tende a retornar ao equilíbrio.
Mas o que acontece quando a preocupação nunca termina?
Quando o Estresse Se Torna Crônico
O estresse crônico acontece quando situações estressantes se prolongam ou se repetem com tanta frequência que a pessoa permanece por longos períodos sob tensão.
Nem sempre isso é facilmente percebido.
Às vezes, a mulher simplesmente se acostuma a viver cansada.
Acorda pensando nas tarefas.
Passa o dia resolvendo problemas.
Almoça olhando mensagens.
Chega em casa pensando no trabalho.
Deita preocupada com o dia seguinte.
Dorme mal.
E começa tudo novamente.
Depois de algum tempo, estar permanentemente acelerada pode parecer normal.
Mas o corpo percebe essa sobrecarga.
Alguns sinais podem aparecer, como irritabilidade, tensão muscular, alterações do sono, dificuldade de concentração, cansaço, dores de cabeça e sensação de estar constantemente preocupada ou sobrecarregada.
A memória também pode parecer menos eficiente.
Estresse Faz Perder a Memória?
Essa pergunta precisa ser respondida com cuidado.
Não podemos afirmar que toda pessoa estressada terá perda de memória.
Porém, o estresse prolongado pode interferir em processos importantes para a cognição.
Um dos primeiros é a atenção.
Para lembrar de uma informação, geralmente precisamos primeiro prestar atenção nela.
Imagine que alguém diga:
“Não esqueça: a consulta mudou para quinta-feira às 14 horas.”
Ao mesmo tempo, você está respondendo uma mensagem, pensando no jantar, procurando uma chave e tentando lembrar de uma tarefa do trabalho.
Você ouviu a frase.
Mas será que realmente prestou atenção?
Horas depois, pode não lembrar do horário.
A sensação será:
“Minha memória está péssima.”
Mas talvez a informação não tenha sido adequadamente registrada porque sua atenção estava dividida.
Atenção e Memória Trabalham Juntas
Podemos imaginar a atenção como uma espécie de porta de entrada.
Nem tudo aquilo que acontece ao nosso redor recebe processamento profundo.
O cérebro precisa selecionar informações.
Isso é essencial porque seria impossível prestar atenção simultaneamente a todos os sons, imagens, pensamentos e sensações presentes a cada segundo.
Quando estamos muito estressadas, parte dos recursos mentais pode ficar ocupada com preocupações.
“Será que vou conseguir pagar aquela conta?”
“Preciso terminar aquele trabalho.”
“Tenho que ligar para minha mãe.”
“Não posso esquecer a reunião.”
“Será que meu filho chegou?”
Enquanto esses pensamentos circulam, sobra menos espaço para prestar atenção ao que está acontecendo naquele momento.
Por isso, algumas falhas que interpretamos como problemas de memória podem começar antes mesmo da memorização.
O Que o Cortisol Tem a Ver Com Isso?
Quando falamos em estresse, é comum ouvir falar do cortisol.
O cortisol é um hormônio produzido pelas glândulas suprarrenais e participa de diversas funções importantes no organismo.
Ele não é um “hormônio ruim”.
Precisamos dele.
O problema é simplificar a questão dizendo que “cortisol é tóxico” ou que qualquer aumento de cortisol destrói neurônios.
A fisiologia é muito mais complexa.
Durante situações de estresse, o organismo ativa sistemas hormonais que ajudam a disponibilizar energia e preparar o corpo para responder ao desafio.
Quando o estresse se torna persistente, alterações prolongadas nesses sistemas podem estar relacionadas a efeitos sobre diferentes áreas da saúde, incluindo sono, metabolismo, humor e cognição.
Portanto, o objetivo não é “eliminar o cortisol”.
Isso seria impossível e indesejável.
O objetivo é evitar, quando possível, viver permanentemente em estado de alerta.
Estresse, Hipocampo e Memória
Existe uma região cerebral frequentemente mencionada quando falamos sobre memória: o hipocampo.
Ele participa de processos importantes relacionados à formação e organização de memórias.
O hipocampo também possui relação com os sistemas envolvidos na resposta ao estresse, razão pela qual existe grande interesse científico em compreender como o estresse prolongado pode influenciar essa região.
Estudos indicam que exposição persistente ao estresse pode estar associada a alterações em processos relacionados à memória e aprendizagem.
Mas isso não significa que alguns meses difíceis inevitavelmente provocarão uma lesão permanente no cérebro.
Essa interpretação seria exagerada.
A resposta ao estresse varia entre indivíduos e depende de fatores como intensidade, duração, contexto, saúde geral, qualidade do sono e recursos disponíveis para lidar com as situações.
Quando a Cabeça Está Cheia Demais
Talvez você já tenha utilizado a expressão:
“Minha cabeça está cheia.”
Ela descreve muito bem uma experiência comum.
Não significa literalmente que o cérebro atingiu sua capacidade máxima de armazenamento.
Significa que existe uma grande quantidade de informações competindo pela nossa atenção.
Imagine tentar trabalhar enquanto pensa em cinco problemas pessoais.
Ou tentar acompanhar uma conversa enquanto espera uma notícia importante.
Fisicamente você está presente.
Mentalmente, parte de você está em outro lugar.
Isso pode gerar:
- distração;
- dificuldade para terminar tarefas;
- esquecimentos de compromissos;
- dificuldade para acompanhar leituras;
- necessidade de reler informações;
- sensação de pensamento mais lento;
- dificuldade para encontrar palavras;
- perda frequente de objetos;
- sensação de estar funcionando no “automático”.
Esses sintomas também podem ocorrer por várias outras razões. Portanto, quando são intensos, persistentes ou progressivos, merecem avaliação profissional.
Estresse e Sono: Uma Combinação Difícil Para a Memória
Existe ainda outro problema.
O estresse pode atrapalhar o sono.
E dormir mal pode piorar concentração e memória no dia seguinte.
A pessoa fica preocupada porque não consegue dormir.
Depois fica cansada porque dormiu pouco.
Por estar cansada, tem dificuldade de concentração.
Por não conseguir se concentrar, esquece coisas.
Por esquecer, fica preocupada com a memória.
E essa preocupação pode aumentar ainda mais o estresse.
Forma-se um ciclo.
Para mulheres durante o climatério e a menopausa, esse ciclo pode ser ainda mais perceptível porque fogachos e suor noturno também podem fragmentar o sono.
Por isso, quando uma mulher relata piora da memória depois dos 40, é importante observar o quadro como um todo.
Como ela está dormindo?
Como está o humor?
Existe ansiedade?
Está enfrentando sobrecarga?
Os sintomas da menopausa estão intensos?
Existem medicamentos que possam interferir?
Há alguma condição de saúde que precise ser investigada?
A memória não funciona isoladamente.
Menopausa, Estresse e Memória
A meia-idade pode reunir diversos fatores estressantes ao mesmo tempo.
Algumas mulheres estão no auge das responsabilidades profissionais.
Outras cuidam simultaneamente dos filhos e de pais idosos.
Há mudanças no relacionamento, preocupações financeiras, transformações corporais e questionamentos pessoais.
Enquanto tudo isso acontece, o climatério pode trazer alterações hormonais e sintomas físicos.
O resultado pode ser uma sensação de sobrecarga difícil de explicar.
É comum ouvir:
“Antes eu dava conta de tudo.”
Essa frase merece cuidado.
Talvez o problema não seja que você perdeu capacidade.
Talvez a quantidade de coisas que está tentando administrar tenha aumentado.
Ou talvez seu sono tenha piorado.
Talvez existam sintomas físicos consumindo energia.
Talvez você simplesmente esteja cansada.
Comparar constantemente o desempenho atual com uma versão de nós mesmas que vivia em circunstâncias completamente diferentes pode ser injusto.
Multitarefa: Estamos Realmente Fazendo Tudo ao Mesmo Tempo?
Responder mensagens enquanto assistimos a uma reunião.
Preparar o jantar enquanto resolvemos um problema pelo telefone.
Ler um e-mail enquanto pensamos em outra tarefa.
Chamamos isso de multitarefa.
Mas, em muitas situações, o cérebro não está realizando duas tarefas complexas simultaneamente com a mesma qualidade.
Ele está alternando rapidamente a atenção.
Cada mudança possui um custo.
Quanto mais alternamos, maior pode ser a sensação de cansaço mental.
E maior também pode ser a possibilidade de deixarmos alguma informação escapar.
Por isso, uma das estratégias mais simples para quem sente a memória sobrecarregada pode ser justamente reduzir a quantidade de coisas realizadas simultaneamente.
O Problema Pode Não Ser Sua Memória
Essa é uma mensagem importante.
Quando você esquece alguma coisa em um período de grande estresse, não conclua imediatamente:
“Meu cérebro está envelhecendo.”
Pergunte primeiro:
Eu estava realmente prestando atenção?
Como dormi nos últimos dias?
Estou tentando fazer coisas demais ao mesmo tempo?
Tenho vivido constantemente preocupada?
Estou conseguindo descansar?
Essas perguntas não substituem avaliação médica quando necessária.
Mas ajudam a compreender que memória, atenção, sono e estado emocional estão profundamente conectados.
E existe uma boa notícia.
Embora não possamos eliminar todas as fontes de estresse da vida, podemos aprender estratégias para diminuir a sobrecarga e oferecer ao cérebro melhores condições para funcionar.
É exatamente isso que veremos na segunda parte deste artigo.
Como Proteger a Memória Quando a Vida Está Estressante?
Depois de entender que estresse, atenção, sono e memória estão conectados, surge a pergunta mais importante:
O que podemos fazer?
Seria muito fácil responder: “evite o estresse”.
Mas essa orientação pouco ajuda quem possui contas para pagar, responsabilidades familiares, trabalho, problemas de saúde ou situações que simplesmente não podem ser eliminadas de um dia para o outro.
Nem todo estresse pode ser retirado da nossa vida.
O que podemos fazer é identificar aquilo que está aumentando desnecessariamente a sobrecarga e criar estratégias para ajudar o cérebro a administrar melhor as demandas.
1. Pare de Exigir Que Sua Memória Guarde Tudo
Quantas informações você tenta manter mentalmente durante um único dia?
Consulta médica.
Reunião.
Lista do supermercado.
Horário de um compromisso.
Conta para pagar.
Mensagem para responder.
Remédio que precisa comprar.
Aniversário.
Tarefa do trabalho.
Alguma coisa que precisa levar amanhã.
Quando tentamos manter tudo na cabeça, parte da nossa atenção fica constantemente ocupada lembrando:
“Não posso esquecer.”
Uma estratégia muito simples é transferir parte dessas informações para um sistema externo.
Pode ser:
- agenda;
- calendário do celular;
- lista de tarefas;
- alarmes;
- lembretes;
- bloco de notas;
- quadro de organização.
Usar uma agenda não significa que sua memória esteja ruim.
Significa utilizar uma ferramenta para reduzir a carga mental.
2. Faça Uma Coisa de Cada Vez Quando For Possível
A vida real nem sempre permite concentração absoluta.
Mas algumas mudanças podem ajudar.
Se estiver lendo algo importante, deixe as mensagens para alguns minutos depois.
Quando alguém estiver passando uma informação que você precisa lembrar, pare e escute.
Se estiver organizando documentos, tente terminar aquela pequena etapa antes de começar outra.
Quanto mais atenção oferecemos à informação no momento em que ela chega, maiores são as chances de registrá-la adequadamente.
Uma frase simples pode ajudar:
“Agora vou terminar isto.”
Não é necessário passar horas concentrada.
Às vezes, dez minutos sem interrupção são mais produtivos do que meia hora alternando entre cinco atividades.
3. Repita Informações Importantes
Quando alguém fornecer uma informação que você realmente precisa lembrar, repita.
“Então minha consulta é terça-feira às três.”
Essa pequena atitude exige que você processe ativamente a informação.
Depois, registre no calendário.
Podemos fazer o mesmo com nomes.
Quando conhecer alguém chamado Ana, por exemplo, utilize o nome durante a conversa:
“Prazer, Ana.”
Associações também podem ajudar.
Quanto mais significado uma informação possui, mais fácil pode ser recuperá-la posteriormente.
4. Crie Lugares Fixos Para Objetos Importantes
“Cadê minha chave?”
“Cadê meus óculos?”
“Onde deixei o celular?”
Perder objetos diariamente pode gerar uma quantidade surpreendente de estresse.
Uma solução simples é reduzir a necessidade de lembrar onde cada objeto foi colocado.
Escolha lugares fixos.
A chave sempre no mesmo local.
Os óculos em um determinado espaço.
Documentos importantes em uma pasta específica.
Medicamentos em um local adequado e seguro.
Quando repetimos a mesma organização, diminuímos o número de decisões e informações que precisam ser recuperadas durante o dia.
5. Faça Pausas Antes de Chegar ao Limite
Descansar apenas quando estamos completamente exaustas pode não ser a melhor estratégia.
Pequenas pausas ao longo do dia podem ajudar a interromper períodos prolongados de tensão.
Levante-se.
Alongue o corpo.
Beba água.
Olhe pela janela.
Caminhe alguns minutos.
Respire mais lentamente.
Se possível, fique um curto período longe da tela.
A pausa não precisa durar meia hora.
Alguns minutos já podem representar uma mudança de ritmo.
O objetivo não é produzir mais depois.
É reconhecer que o organismo não foi feito para permanecer em estado de alerta constante.
6. Respiração e Relaxamento Podem Ajudar?
Técnicas de respiração lenta, meditação, relaxamento muscular e práticas de atenção plena podem ajudar algumas pessoas a reduzir a percepção de estresse e a recuperar o foco.
Mas elas não precisam ser transformadas em mais uma obrigação.
Se meditar durante 30 minutos deixa você mais ansiosa, talvez essa não seja a melhor estratégia para começar.
Você pode simplesmente sentar-se confortavelmente durante alguns minutos e observar a respiração.
Inspirar tranquilamente.
Expirar sem pressa.
Perceber a tensão nos ombros.
Relaxar a mandíbula.
Voltar a atenção para o momento presente.
O objetivo não é “esvaziar completamente a mente”.
Pensamentos continuarão aparecendo.
A prática consiste justamente em perceber quando a atenção se afastou e trazê-la novamente para aquilo que está acontecendo agora.
7. Movimento Pode Ser Uma Forma de Descompressão
Atividade física não beneficia apenas músculos e coração.
Movimentar o corpo também pode ajudar na saúde emocional, no sono e no manejo do estresse.
E não é necessário realizar exercícios intensos todos os dias para começar.
Caminhar.
Dançar.
Pedalar.
Nadar.
Fazer exercícios de força.
Alongar-se.
Cuidar do jardim.
Existem muitas maneiras de se movimentar.
O importante é encontrar uma atividade adequada às suas condições e que possa fazer parte da rotina.
Quando houver problemas de saúde ou limitações físicas, procure orientação profissional para escolher atividades seguras.
8. Observe Seu Sono
Quando a memória parece piorar, uma das primeiras perguntas deveria ser:
“Como estou dormindo?”
Poucas horas de sono, despertares frequentes ou sono de baixa qualidade podem deixar o cérebro menos eficiente no dia seguinte.
Durante a menopausa, fogachos e suor noturno podem agravar o problema.
Algumas atitudes podem favorecer uma rotina melhor:
- manter horários relativamente regulares;
- diminuir estímulos intensos próximo ao horário de dormir;
- evitar trabalhar na cama;
- manter o quarto confortável;
- observar se cafeína consumida mais tarde interfere no sono;
- criar uma rotina de desaceleração antes de dormir.
Se a dificuldade para dormir persistir ou for intensa, vale conversar com um profissional de saúde.
Ronco intenso, pausas percebidas na respiração durante o sono e sonolência excessiva durante o dia também merecem avaliação.
9. Cuidado Com o Excesso de Cafeína
Quando estamos cansadas, uma reação comum é aumentar o café.
Um pela manhã.
Outro depois do almoço.
Mais um no meio da tarde.
Talvez outro para terminar o trabalho.
A cafeína pode aumentar temporariamente o estado de alerta, mas o consumo excessivo ou em horários inadequados pode atrapalhar o sono de algumas pessoas.
Então acontece um ciclo:
Você dorme mal.
Fica cansada.
Toma mais café.
O excesso de cafeína interfere no descanso.
Você dorme mal novamente.
Não significa que toda mulher precise abandonar o café.
A sensibilidade varia bastante.
O importante é observar como seu próprio organismo responde.
10. Alimentação Não Precisa Ser Mais Uma Fonte de Estresse
Quando estamos sobrecarregadas, é tentador procurar alguma vitamina ou suplemento que prometa “recuperar a memória”.
Mas não existe uma cápsula capaz de compensar permanentemente privação de sono, estresse intenso e alimentação inadequada.
Uma alimentação variada, com presença de vegetais, frutas, proteínas, leguminosas, cereais integrais e fontes adequadas de gorduras pode contribuir para a saúde geral.
Deficiências nutricionais específicas podem afetar o funcionamento cognitivo, mas precisam ser investigadas adequadamente.
Tomar doses elevadas de vitaminas sem necessidade não significa oferecer mais proteção ao cérebro.
Suplementação deve ser avaliada individualmente, especialmente quando existem doenças ou uso de medicamentos.
11. Escolha Três Prioridades
Quando tudo é prioridade, nada é prioridade.
No começo do dia, experimente identificar três coisas realmente importantes.
Não vinte.
Três.
Isso não significa que você fará apenas essas tarefas.
Significa que existe uma hierarquia.
Quando surgirem pequenas demandas ao longo do dia, será mais fácil decidir:
“Preciso resolver isso agora ou pode esperar?”
Essa pergunta simples pode diminuir a sensação de que todas as tarefas precisam ser realizadas imediatamente.
12. Divida Tarefas Grandes em Pequenas Etapas
“Preciso organizar toda a casa.”
Essa frase pode gerar sobrecarga antes mesmo de começar.
Experimente substituir por:
“Hoje vou organizar apenas esta gaveta.”
O mesmo funciona no trabalho.
Em vez de:
“Preciso terminar o projeto.”
Pense:
“Vou trabalhar nesta primeira etapa durante 20 minutos.”
Tarefas menores possuem início e fim mais claros.
Isso facilita o foco e reduz a quantidade de informações que precisam ser administradas simultaneamente.
13. Não Transforme Cada Esquecimento em Uma Ameaça
Esquecer alguma coisa pode assustar, principalmente depois dos 40.
Então começa um processo de vigilância.
“Esqueci aquela palavra.”
“Demorei para lembrar o nome.”
“Não sei onde coloquei a chave.”
“Será que estou com algum problema?”
Quanto mais preocupada a pessoa fica com a memória, mais atenção passa a dedicar aos pequenos esquecimentos que antes talvez nem percebesse.
Isso não significa ignorar sintomas.
Significa evitar concluir que cada lapso cotidiano representa necessariamente uma doença.
Observe padrões.
A frequência aumentou?
Está piorando?
Interfere na sua autonomia?
Outras pessoas perceberam mudanças?
Essas informações são mais importantes do que um esquecimento isolado.
Quando Procurar Avaliação Médica?
Nem toda dificuldade de memória deve ser atribuída ao estresse ou à menopausa.
Procure avaliação profissional se perceber mudanças persistentes, progressivas ou que começam a interferir significativamente na rotina.
Alguns exemplos incluem:
- perder-se repetidamente em lugares conhecidos;
- dificuldade crescente para realizar tarefas familiares;
- esquecer acontecimentos importantes com frequência;
- dificuldade significativa para administrar compromissos ou finanças que antes eram controlados normalmente;
- alterações importantes na linguagem;
- mudanças de comportamento associadas às dificuldades cognitivas;
- pessoas próximas perceberem uma mudança relevante;
- sintomas que estão piorando com o tempo.
Uma avaliação também pode investigar causas potencialmente tratáveis de dificuldade cognitiva.
Alterações da tireoide, deficiências nutricionais, transtornos de humor, distúrbios do sono, efeitos de medicamentos e outras condições podem interferir na memória e na concentração.
Por isso, não tente fazer o diagnóstico sozinha.
Estresse Não É Fraqueza
Existe uma tendência de interpretar dificuldade para lidar com excesso de demandas como falta de força.
“Todo mundo consegue.”
“Eu deveria dar conta.”
“Antes eu fazia muito mais.”
Mas o organismo possui limites.
Reconhecer que uma rotina está excessivamente pesada não significa fracasso.
Às vezes, reduzir uma obrigação, pedir ajuda, reorganizar tarefas ou procurar apoio profissional é uma atitude muito mais inteligente do que continuar tentando funcionar no limite.
Seu Cérebro Também Precisa de Espaço
Imagine uma mesa completamente coberta por papéis.
Você ainda consegue trabalhar nela.
Mas primeiro precisa abrir espaço.
A sobrecarga mental pode produzir uma sensação semelhante.
Existem tantas preocupações competindo pela atenção que tarefas simples começam a exigir esforço.
Talvez cuidar da memória não signifique apenas acrescentar exercícios cerebrais.
Às vezes significa retirar excesso.
Menos interrupções.
Menos tarefas simultâneas.
Menos cobrança impossível.
Mais sono.
Mais movimento.
Mais organização.
Mais momentos em que você consegue realmente estar presente naquilo que está fazendo.
Você Não Precisa Dar Conta de Tudo ao Mesmo Tempo
Depois dos 40, muitas mulheres percebem mudanças na concentração e na memória e imediatamente culpam a idade ou a menopausa.
Mas o cérebro não vive separado da nossa história.
Ele sente noites mal dormidas.
Sente preocupação.
Sente sobrecarga.
Sente falta de descanso.
E também responde quando oferecemos melhores condições para funcionar.
Organizar tarefas, cuidar do sono, movimentar o corpo, reduzir a multitarefa e procurar apoio quando necessário não são soluções mágicas.
São estratégias que podem ajudar a diminuir parte da carga que carregamos diariamente.
Talvez a pergunta não precise ser:
“Por que minha memória não é mais como antes?”
Talvez possamos perguntar:
“Quanto estou exigindo da minha mente neste momento?”
Às vezes, o cérebro não precisa de mais cobrança.
Precisa de melhores condições para fazer aquilo que sempre soube fazer.
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Aviso Importante
Este conteúdo possui finalidade exclusivamente informativa e educativa e não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento realizado por profissionais de saúde. Sintomas persistentes, progressivos ou que interfiram nas atividades cotidianas devem ser avaliados individualmente por um profissional qualificado.