Fazer planos depois dos 40 é uma oportunidade de decidir com mais consciência como você deseja viver os próximos anos. Em vez de pensar apenas em grandes metas, vale planejar diferentes áreas da vida: trabalho, dinheiro, relações, experiências, aprendizado, moradia e projetos pessoais. O importante é transformar desejos distantes em pequenos passos possíveis.
Quando pensamos em fazer planos para os próximos dez anos, pode surgir uma sensação estranha.
Dez anos parece muito tempo.Ao mesmo tempo, basta olhar para trás para perceber como uma década passa rapidamente.
Quem está com 40 chegará aos 50. Quem está com 50 chegará aos 60. Quem está com 55 estará se aproximando dos 65.
E essa reflexão pode provocar uma pergunta importante:
Como eu gostaria que minha vida estivesse daqui a dez anos?
Não se trata de prever o futuro.
Imprevistos continuarão acontecendo. Pessoas mudarão. Prioridades também.
Mas existe uma grande diferença entre tentar controlar o futuro e escolher uma direção.
Fazer planos depois dos 40 significa olhar para os próximos anos e começar a construir, pouco a pouco, uma vida que tenha mais relação com aquilo que realmente importa para você.
Por que fazer planos depois dos 40?
Durante boa parte da vida adulta, muitos objetivos parecem surgir quase automaticamente.
Estudar.
Trabalhar.
Construir uma carreira.
Criar os filhos.
Comprar uma casa.
Pagar contas.
Cuidar da família.
Resolver problemas.
Mas chega uma fase em que algumas dessas etapas já foram cumpridas ou estão mudando.
Os filhos crescem.
A carreira pode deixar de fazer tanto sentido.
A aposentadoria começa a parecer menos distante.
Algumas responsabilidades diminuem enquanto outras aparecem.
É justamente nesse momento que vale perguntar:
O que quero construir na próxima década?
Não o que esperam de você.
Não o que outras mulheres estão fazendo.
O que você deseja.
Comece imaginando um dia comum da sua vida daqui a dez anos
Em vez de começar com uma lista enorme de metas, faça um exercício diferente.
Imagine uma terça-feira comum daqui a dez anos.
Onde você mora?
Você trabalha?
Com o quê?
Que horas acorda?
Como é sua rotina?
Com quem convive?
Como utiliza seu tempo?
O que faz durante a noite?
Como são seus fins de semana?
Esse exercício pode revelar desejos que uma lista tradicional de objetivos não mostra.
Talvez você perceba que deseja menos correria.
Talvez queira continuar trabalhando, mas de outra maneira.
Pode desejar morar em outro lugar, viajar mais, estudar ou simplesmente ter mais autonomia sobre seu tempo.
Essas pistas ajudam a construir os próximos passos.
Não faça planos apenas para o trabalho
Quando falamos sobre futuro, é comum pensar primeiro em carreira e dinheiro.
Eles são importantes.
Mas não são a vida inteira.
Experimente dividir seus planos depois dos 40 em diferentes áreas.
Trabalho e projetos
Pergunte:
Quero continuar fazendo o mesmo trabalho daqui a dez anos?
Talvez a resposta seja sim.
Nesse caso, o objetivo pode ser melhorar as condições de trabalho, reduzir a carga horária ou alcançar determinada posição.
Mas talvez você queira mudar.
Pode desejar iniciar um negócio, trabalhar por conta própria, aprender outra profissão ou desenvolver uma atividade paralela.
Não é necessário decidir tudo agora.
O primeiro passo é reconhecer a direção.
Dinheiro
Uma década pode fazer uma enorme diferença na vida financeira.
Pense em questões como:
- dívidas;
- reserva financeira;
- aposentadoria;
- moradia;
- investimentos;
- grandes compras;
- fontes de renda;
- redução de despesas.
Talvez você não consiga resolver tudo imediatamente.
Mas dez anos de pequenas decisões consistentes podem produzir mudanças significativas.
Se essa área precisa de atenção, o artigo “Como Organizar a Vida Financeira Depois dos 40 Anos” pode ajudar a dar os primeiros passos.
Moradia
Onde você gostaria de morar daqui a dez anos?
Na mesma casa?
Em um imóvel menor?
Em outra cidade?
Mais perto dos filhos?
Mais perto da natureza?
Essa pergunta pode parecer distante, mas decisões relacionadas à moradia geralmente exigem planejamento financeiro e familiar.
Pensar cedo permite avaliar possibilidades com calma.
Relações
Quem você gostaria que continuasse fazendo parte da sua vida?
Quais relações deseja fortalecer?
Existem amizades que gostaria de recuperar?
Gostaria de conhecer mais pessoas?
Muitas vezes planejamos carreira, dinheiro e viagens, mas esquecemos de planejar aquilo que sustenta boa parte da nossa felicidade cotidiana: nossas relações.
Não é possível controlar quem permanecerá conosco.
Mas podemos escolher dedicar mais atenção às pessoas importantes.
Experiências
Existe algum lugar que você gostaria muito de conhecer?
Uma experiência que sempre adiou?
Talvez seja uma viagem internacional.
Ou talvez seja algo muito mais simples:
conhecer outra região do Brasil;
ir ao teatro com mais frequência;
fazer pequenas viagens;
participar de eventos;
visitar amigos;
passar mais tempo ao ar livre.
Não espere a aposentadoria para começar a viver experiências importantes.
Algumas podem acontecer muito antes.
Aprendizado
O que você gostaria de saber fazer daqui a dez anos?
Falar outro idioma?
Tocar um instrumento?
Usar novas tecnologias?
Cozinhar melhor?
Fotografar?
Escrever?
Costurar?
Administrar um negócio?
Aprender não precisa terminar quando saímos da escola ou da faculdade.
Na verdade, aprender algo novo pode ser uma das partes mais interessantes da maturidade.
Projetos pessoais
Talvez exista um projeto guardado há anos.
Escrever um livro.
Criar um blog.
Abrir uma pequena empresa.
Fazer artesanato.
Montar uma horta.
Estudar determinado assunto.
Trabalhar com algo que gosta.
Projetos pessoais não precisam necessariamente gerar dinheiro.
Alguns existem simplesmente porque tornam a vida mais interessante.
Escolha três prioridades para a próxima década
Depois de pensar em várias áreas, não tente transformar tudo em meta.
Escolha apenas três prioridades principais.
Por exemplo:
1. Construir maior segurança financeira.
2. Trabalhar de uma maneira menos desgastante.
3. Viajar e viver mais experiências.
Outra pessoa poderia escolher:
1. Mudar de cidade.
2. Desenvolver um novo projeto profissional.
3. Fortalecer relações familiares.
Não existe lista correta.
Suas prioridades precisam fazer sentido para sua vida.
Transforme dez anos em períodos menores
Uma meta para 2036 pode parecer distante demais.
Então divida.
Pergunte:
O que precisa acontecer nos próximos cinco anos?
Depois:
O que posso começar nos próximos dois anos?
E finalmente:
O que posso fazer nos próximos 12 meses?
Imagine que seu objetivo seja construir uma reserva financeira significativa.
O plano pode começar simplesmente organizando as despesas e guardando uma pequena quantia mensal.
Se deseja mudar de profissão, talvez o primeiro passo seja pesquisar cursos.
Se deseja viajar, pode começar criando um fundo específico para viagens.
O futuro é construído em decisões muito menores do que imaginamos.
Faça uma lista chamada “antes dos 50” ou “antes dos 60”
Escolha o próximo marco de idade.
Depois escreva:
Antes dos 50 eu gostaria de…
ou:
Antes dos 60 eu gostaria de…
Não precisa ser uma lista de grandes conquistas.
Pode incluir:
- fazer uma viagem;
- terminar um curso;
- organizar as finanças;
- iniciar um projeto;
- aprender algo;
- conhecer determinado lugar;
- mudar algum hábito;
- realizar uma experiência com a família.
A ideia não é criar pressão.
É evitar que tudo continue sendo adiado.
Pergunte o que você não quer levar para a próxima década
Planejar não significa apenas decidir o que queremos acrescentar.
Também significa escolher o que gostaríamos de deixar para trás.
Pode ser:
uma dívida;
um compromisso que não faz mais sentido;
um excesso de objetos;
uma rotina desgastante;
um projeto abandonado que continua ocupando espaço mental;
um hábito que consome tempo;
uma obrigação assumida apenas para agradar outras pessoas.
Às vezes, criar uma nova fase exige liberar espaço.
Não transforme seus planos em comparação
Talvez uma amiga esteja comprando uma casa.
Outra esteja viajando.
Uma terceira tenha começado uma empresa.
Outra esteja pensando em aposentadoria.
A vida de cada mulher possui um ritmo diferente.
Seus planos não precisam parecer impressionantes.
Precisam fazer sentido para você.
É justamente por isso que falamos também sobre como parar de se comparar com outras mulheres depois dos 40.
Planejar sua vida olhando constantemente para a vida alheia pode fazer você perseguir objetivos que nem deseja de verdade.
Reserve dinheiro para aquilo que importa
Muitos sonhos possuem algum componente financeiro.
Uma viagem.
Um curso.
Uma mudança.
Um negócio.
Uma reforma.
Uma aposentadoria mais tranquila.
Quando um objetivo estiver claro, tente estimar quanto ele custaria.
Depois transforme esse valor em uma meta de médio ou longo prazo.
Nos conteúdos “Como Criar uma Reserva Financeira Mesmo Começando Depois dos 40” e “Como Organizar a Vida Financeira Depois dos 40 Anos”, abordamos estratégias que podem ajudar nessa organização.
Revise seus planos uma vez por ano
Você não precisa decidir hoje exatamente como será sua vida daqui a dez anos.
Aliás, provavelmente algumas coisas mudarão.
Por isso, escolha um momento do ano para revisar seus planos.
Pode ser no aniversário.
No início do ano.
Ou em qualquer data significativa para você.
Pergunte:
O que ainda quero?
O que deixou de fazer sentido?
O que consegui avançar?
Qual será minha prioridade nos próximos 12 meses?
Planos devem orientar.
Não aprisionar.
Deixe espaço para mudar de ideia
Talvez hoje você queira morar no interior.
Daqui a três anos, pode mudar de opinião.
Talvez imagine continuar trabalhando até determinada idade e depois descubra uma nova atividade que deseja manter por muito mais tempo.
Isso não significa que o planejamento falhou.
Significa que você mudou.
Um bom plano precisa ter espaço para a vida acontecer.
Não espere janeiro para começar
Existe uma tendência de d

Elieusa Regina Feliciano é professora há mais de 20 anos e criadora do Coisas da Vida, um espaço dedicado a levar informação confiável e acessível às mulheres que desejam compreender melhor as mudanças após os 40 anos, especialmente no climatério e na menopausa.
